QUEM CONTA UM CONTO...
(desde junho/2007 com atualizações periódicas)
Ademir Moreno Aguilar


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O QUE É O PROJETO PENINHA?

=> é contação de história
do livro Extinção

=> é música do Peninha

=> é oficina de origami
(faça o seu Peninha)

=> é venda de livros autografados


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Ouça a música especialmente
composta para o Peninha
(por Edmilson Bernardinelli)

Eu li a história
do passarinho Peninha...
Numa grande árvore
morava com os pais
e seus irmãos
Junto com seus amigos,
o Azulão, o Biquinho,
o Grandão e o Rabinho,
seu irmão Soneca,
brincavam felizes
na Grande Clareira...

Pega-pega, esconde-esconde, corrida,
assim era a vida
Uma grande festa,
uma grande alegria,
era só diversão!!

Peninha voava, voava e cantava
Tinha uma vida feliz
Com os seus amigos
Peninha brincava,
era muito feliz

Mas de repente tudo mudou
O que aconteceu então?
A estória completa
está em um livro
chamado "Extinção"




Livro Infantil "Extinção"
Ilustrado
Bilingue (Português-Espanhol)

Texto: Ademir Moreno Aguilar
Ilustração: Cláudio Martins

3º lugar no
IV Concurso de
Cuentos Infantiles
"Los niños del MERCOSUR" 2007/2008

ENTRE NOS SITES ABAIXO E ADQUIRA O SEU:

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ROMANCE "DUAS HORAS":

2007
1º lugar no
Concurso Criativo
Promovido pelo
"Projeto A Turba Literária",
que divulga obras literárias
não publicadas ou
publicadas de forma
independente

http://www.aturbaliteraria.com

2009
3º lugar no
“Concurso Internacional
de Literatura”,
categoria romance
(Prêmio Jorge Amado)
Promovido pela
União Brasileira
de Escritores do
Rio de Janeiro
UBE - RJ

_____________________

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10/03/2010 22:35

CHEGANDO EM CASA

CENA 1

Este aí sou eu, na minha caminhada diária, voltando do serviço. Ando por vinte e cinco minutos, acompanhando a Avenida do Estado, no trecho em que ela serve de divisa entre os municípios de São Paulo e São Caetano do Sul. Como vocês podem ver, caminho por uma calçada sem fim, quase deserta, sem atravessar rua alguma. Do meu lado esquerdo, as pistas da avenida. No direito, empresas.

Não direi o nome de nenhuma delas, porque não tenho contrato de merchandising com ninguém... Pobre de mim. Se eu fosse um escritor famoso, acho que até poderia fazer de minha arte uma vitrine comercial. Desde que não descambasse para o exagero, do tipo:

“... Então aí o sujeito, logo que se levantou, foi tomar o café da manhã no M... (...) Após sair de uma reunião estressante, desceu do prédio e foi comer um lanche no M... (...) A bela moça sentou-se no banco da praça com o olhar pensativo. Seus cabelos voavam ao vento e, ao fundo, via-se a fachada de um M...”.

Será que um escritor de novelas televisivas tem que se preocupar com tudo isso? Imagine só:

“... Caramba! Tenho que dar um jeito desse personagem malhar na academia X, tomar um café no café Y, dirigir o carro Z, tomar banho com o sabonete W... O que mais? Deixe-me ver...”.

Ou será que alguém fica enxertando tudo isto no texto do autor? Ou será, ainda, que o diretor de filmagem se encarrega de colocar todas estas marcas em cena? Ou... Deixa pra lá! Estou perdendo o foco. Vamos voltar à minha caminhada.

Como ia dizendo, este aí sou eu, voltando do serviço, tendo ao meu lado esquerdo as pistas da avenida, e ao direito as empresas que eu não vou falar o nome...

Para fechar esta primeira cena, tenho que chamar a atenção para a bolsa que carrego a tiracolo. Minha companheira de jornada. Jornada de um bancário que veste roupa social e que trabalha na área de Tecnologia da Informação... Você acha que estas informações são desnecessárias? Provavelmente sejam. Mas é que eu quis dizer essas coisas, falar um pouco a meu respeito. Quer saber, pra mim é mais pertinente colocar isso ao invés do nome das empresas que estão aí ao meu lado direito... Ah, tem mais um dado: já anoiteceu. Como trabalho longe, chego tarde, e o horário de verão acabou, por tudo isto já salto do ônibus sem enxergar luz do dia. Talvez seja interessante falar que este ônibus é a minha única condução, que corajosamente atravessa a cidade de São Paulo com o seu trânsito infernal. Não, não vale a pena dizer isso. Mas agora eu já falei... E agora também está completa a primeira cena. Acho que ficou bom, mesmo sem dizer os nomes das empresas...

CENA 2

Este quadro é rápido. Isto porque no anterior já defini o espaço e o tempo da ação. Repare, veja que de repente olho para trás e avisto, ao longe, um sujeito que segue pela mesma calçada... Por que cargas d’água resolvi olhar para trás? Sei lá! Não vou entrar nesta seara. Daí podem surgir várias teorias e explicações... Destrinchar cada uma delas somente estenderia esta cena. Uma esticada improdutiva, que nada agregaria ao conteúdo da ação propriamente dita e, além do mais, tornaria longo este quadro que pretendo fazer curto e breve. Enfim, o que importa dizer é que esta cena resume-se ao seguinte: olho para trás e vejo, distante, uma pessoa que está andando pela mesma calçada que eu. Só isso.

CENA 3

Olha aí! E não é que o tal sujeito acabou me alcançando? Enquanto me ultrapassa, faz um gesto com a cabeça e diz um “opa”, imediatamente rebatido por mim com outro igual. Um “opa” de cada lado e ele vai se afastando... É só. Espere aí, espere aí! Não, não é para ele me esperar. Ele continua, sem olhar para trás. O “espere” é pra você, que acompanha ao vivo e em cores esta minha experiência, este fato comum e corriqueiro (pelo menos por enquanto...). Para que você espere e se detenha em certos detalhes, talvez desprezíveis. Sabe como é, escritor vive de detalhes mesmo. Imagine se não fosse assim. Muitos livros seriam reduzidos a poucas linhas. Os de trama mais complexa, se bem resumidos, não excederiam duas páginas. O resto, o que é o resto senão detalhes? Já que é assim, repare no indivíduo que acabou de me ultrapassar. Note que é magro e mais alto que eu. Diria que tem aproximadamente 1,75m. Parece ter a pele levemente morena e o cabelo bem curto, possivelmente enrolado. Pode ser outro detalhe ou talvez um preconceito, mas só sei que, enquanto trocávamos os “opas”, na rapidez destes breves cumprimentos, um pensamento cortou a minha mente. Pode ser traduzido mais ou menos assim: “Ele quis me cumprimentar porque tem a intenção de me mostrar que ele não representa perigo”.

Pronto! Agora você já está liberado para entrar na próxima cena, a cena final.

CENA 4 – CENA FINAL

Momento: último trecho da caminhada, quando começo a entrar no bairro onde moro. Olho para a calçada que deixei para trás, mas olho para adiante, onde ela faz uma curva para a direita. Vejo o sujeito. Ele mesmo. Observo que está cambaleando. Surpreendo-me com a sua condição. “Nossa! Parece que está mal. Quando passou por mim estava bem, não andava desse jeito... Talvez um pouquinho torto, mas com certeza muito diferente disso”. Penso em ajudá-lo. Hesito. Breve briga entre a moral e o receio de se expor em um mundo cada vez mais perigoso e violento... A moral ganha. Desvio o meu curso e sigo em sua direção. Tão logo a distância permite a conversação, inicio:

– Opa! (outro “opa”...) Você passou por mim, lá atrás... E aí, você não está passando bem?

Ele não fala nada. Continua o seu andar incerto.

– Você está fraco? Está sentindo o que?

Neste momento, o jovem interrompe os seus passos frouxos. Põe as duas mãos nos joelhos, curvando o tronco e com uma expressão sofrida no rosto.

– Ai, cara! Tá difícil!

O rapaz retoma a caminhada. Tento puxar papo, ajudar de alguma maneira:

– E aí, andou bastante?

– Nossa! Andei desde... – não completa a frase, mas mostra, faz um gesto com a mão, quer dizer que veio de longe – Vim do trabalho... Os cara, meus colega, eles vieram de carro – fala entrecortada, incerta como seus passos – Olha aí! Eles estão chegando agora!

“Como eles estão chegando só agora se vieram de carro?”, penso. Suas ideias não colam. Talvez os pensamentos estejam confusos pelo cansaço. Vendo o seu estado, chego a imaginar que ele pode cair, desfalecer ao meu lado. E eu continuo no papel de bom samaritano:

– Você mora aqui na vila?

– Moro aqui na avenida, mais pra frente...

– Eu também moro aqui na vila, só que pra lá...

Ele fala algo, ou faz um gesto, que interpreto como um “não precisa”, ou seja, que eu não preciso me incomodar, mudando o meu itinerário. Então completo:

– Mas eu vou por aqui, vou te acompanhando...

Depois de alguns segundos, o bom samaritano volta à carga:

– Então, agora, quando você chegar em casa, você come bem, se alimenta... Toma bastante água...

Vou seguindo ao seu lado. Então ele olha para um bar, no outro lado da avenida, e diz:

– Olha aí! Eles estão aí! Já chegaram.

E completa fazendo-me um convite:

– Vamos lá! Quer tomar um barato?

– Não, não, obrigado.

Seus passos tornam-se mais certeiros. Agora têm um objetivo. Anima-se. Subitamente o cansaço parece desaparecer. Quando me afasto um pouco, reforça o convite:

– Não quer tomar um barato não?

– Não, não.

Cada um de nós segue o seu caminho. Depois de passar pelo bar, volto-me para trás e vejo o indivíduo lá dentro... Dentro do bar, é lógico. Em pé, atrás de outro que está sentado. E com a mão sobre o ombro deste outro...

É, ele está em casa.


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23/02/2010 22:12

LEI DE MURPHY APLICADA AOS CONCURSOS LITERÁRIOS

PARTE I – DOS PROBLEMAS NO COMPUTADOR, VENTILADOR E EDITOR

Dessa vez está sendo difícil. Participar de concurso literário quase sempre é uma maratona. Mas desta vez, como eu disse, está mais difícil que o normal. Na verdade, muito mais difícil que o normal...

O culpado disto, ou melhor, “a culpada”, é a tal da lei de Murphy. Para os que desconhecem o enunciado desta importante lei que rege o funcionamento das coisas da vida, aqui vai:

“Se alguma coisa tem a mais remota chance de dar errado, certamente dará.”.

E um complemento importante pode ser acrescentado: dará errado na pior hora possível.

Pois bem, no momento esta lei está agindo com toda a sua força sobre mim, tentando impedir-me de participar do “6º Prêmio Barco a Vapor de Literatura Infantil e Juvenil 2010”. Mas não vai conseguir. Lutarei até o fim. Depois de amanhã termina o prazo para remessa das obras. Menos de 48 horas. Lutarei, bravamente, até o fim.

Há sempre os que não se contentam com um simples enunciado, que a todo custo querem exemplos práticos para melhor entender uma lei. Especialmente para estes narrarei o que comigo aconteceu ontem à noite.

Havia acabado de acabar o texto. Tudo preparado para o concurso. Obra finalizada, digitada, e no formato certo para o referido prêmio. Coloquei para imprimir as quatro vias requeridas pelo regulamento. Fui à busca de minha filha, na intenção de auxiliá-la nas tarefas escolares. Mas antes dei o recado para meu filho que, aproveitando minha saída, entrava no computador: “Fique de olho na impressão. De quando em quando, tire as folhas impressas da impressora para não enroscar, senão começa a cair...”. No entanto, não deu nem um minuto e ele gritou de lá de cima: “Pai, travou! Deu uma mensagem aqui!”. Logo pensei que fosse aquele aviso sobre memória insuficiente. Nada de mais, portanto. Porém, quando vi aquela tela azul, percebi que a coisa era séria. E quando desliguei e liguei o equipamento e apareceu “erro no disco”, aí então notei que a situação era ainda mais grave. Meu filho disse que não era para eu me preocupar, que outra vez também aconteceu isto, que era só dar um tempo e ligar depois, que conserta sozinho... Mas não consertou. E o pior foi que eu, tentando acelerar o resfriamento da máquina, resolvi botar para funcionar um pequeno circulador de ar, na cara da CPU. Resultado: o dito cujo também quebrou.

Pois bem meus caros, isto é a lei de Murphy. Naturalmente, eu ainda não havia feito uma salva do texto em nenhuma mídia externa. É lógico, se tivesse feito o computador não teria pifado.

Fiquei irado, revoltado, possesso. “Possesso”; talvez seja um exagero usar este termo. Mas, com certeza, fiquei muito nervoso... No entanto, não me deixei abater. Ontem mesmo consertei o circulador de ar. Hélice solta. O problema foi que o parafuso que a prendia havia sumido. Fato óbvio e totalmente previsível, afinal, fazer desaparecer parafusos é o passatempo predileto da lei de Murphy. Não tive dúvida: prendi então com durepox. E todo este trabalho não podia ficar para depois. A noite estava quente, muito quente. Aquela hélice teria que girar a noite inteira, para espantar um pouco o calor que castigava. Aproveitei e limpei toda a poeira acumulada por dentro do aparelho... Com isso tudo, fui dormir tarde pra caramba.

Mesmo assim levantei cedo. Não tinha tempo a perder. A primeira coisa que fiz, foi ligar novamente o computador. Erro no disco. Então parti para o “plano B”. Por sorte, tenho outro computador em casa. Todo o texto estava perdido junto com aquela CPU, mas podia usar o “equipamento estepe” para digitar novamente a minha obra. Nem tudo estava perdido. Afinal, tinha de onde digitar. Um original, parte composto por páginas impressas e parte manuscritas... Então, bravamente, desafiei Murphy e sua lei.

Mas o meu oponente mostrava suas garras. Depois de umas quatro ou cinco laudas digitadas, fui rolar a página usando a barra lateral e... E... E... Para cima e para baixo com essa tal barra e... Nada! Nadinha! Todo o texto havia simplesmente sumido!! Nunca vi coisa parecida. “Pau” como este, nunca tinha ouvido falar. A lei de Murphy não queria se fazer de rogada. Porém, apesar de todo o transtorno a que estava submetido, consegui tomar uma decisão acertada. Fechei o editor de textos e logo em seguida abri novamente. Consegui recuperar parcialmente o arquivo, até o último comando “salvar” executado. Perdi uns 70% de uma página. Disse “decisão acertada” porque cheguei a pensar que o melhor seria salvar antes de fechar o editor. Pensei assim: “Só não está mostrando o texto, mas se eu salvar, vai salvar tudo e aí eu não perco nada.”. Ainda bem que eu não fui ganancioso, porque tenho a impressão que se seguisse por esse caminho perderia tudo; novamente. O nada que eu via na tela seria salvo por cima de todo o texto. Se este risco realmente foi real, então com certeza lá estaria a lei, a impiedosa lei de Murphy, torcendo como louca para que eu clicasse no “salvar” antes de sair do editor...

Para encurtar a estória, porque isto é uma crônica e não um conto, devo dizer que finalmente consegui digitar completamente a obra...

Agora só falta imprimir, preparar tudo para a remessa postal e, finalmente, mandar pelo correio.

Vou conseguir. Vencerei a lei de Murphy!


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04/01/2010 00:12

CRÔNICA DO RASGO

Tenho que tirar algum lucro desta situação. Rasgar a calça deste jeito, e logo assim no começo do dia... Ah! Isto merece registro! É por esta razão que estou escrevendo. Daqui sai uma crônica. É o lucro que posso obter desta minha imbecilidade.

Sentado na poltrona do ônibus que me leva ao serviço, lembro-me do momento do rasgo. É mais memória auditiva do que visual. Recordo-me do silêncio sendo violado pelo som. Um som muito longo para um rasgo. Muito alto também. Qualquer decibel a mais, qualquer décimo de segundo a mais na duração, representa muito, quando se trata do som de um rasgo...

Parece que ainda estou ouvindo. O rasgo que não acaba nunca. Acordando aqueles que estão dormindo, tranquilamente, em suas poltronas, recostados em seus encostos reclinados, na vibração suave do motor do ônibus, continuando o sono da cama e, de repente...

O imbecil aqui resolve sentar...

Mas antes entra no ônibus, cumprimenta o motorista e os colegas de sempre, avança pelo corredor e senta-se provisoriamente, em uma poltrona do lado do corredor. Tira o fone de ouvido do celular, pois costuma ouvir notícias em sua caminhada diária de vinte minutos até o ponto onde pega o coletivo da empresa. Guarda o fone e o celular na bolsa. Enquanto faz esta atividade, nota que está sentado em uma poltrona muito para trás. Pensa que é porque vários lugares estão vagos no lado direito para quem entra no ônibus, o lado em que sempre senta. Sim, vários lugares vagos certamente desorientam, fazem com que a gente perca a referência. Então olha para o outro lado, para onde está sentado um determinado colega que lhe serve de orientação, e calcula a posição em que deve se sentar. É preciso avançar mais uma fileira.

Tudo vai colaborando... O imbecil, que sou eu, coloca a bolsa no maleiro, já na direção da poltrona da frente, pois quer manter a posição de costume. Olha para a poltrona ao lado da janela, o lugar em que pretende sentar, e vê o apoio para o braço que separa os dois assentos, vê este apoio baixado... Errar é humano, mas persistir no erro é burrice. Está perto de cometer o mesmo erro. A história se repete. Já faz tempo. Um rasgo também. Só que menor que o de agora...

Movimento calculado, mas mal calculado. É um pouco de preguiça, pressa, economia de movimentos, sei lá o que é! Só sei que o tal apoio para o braço fica como está. Não o levanto. E ele fica lá, imóvel, seguindo o eterno costume dos objetos inanimados. Mas acho que por dentro está rindo, torcendo para que aconteça como da outra vez. Deve estar olhando para o bolso de minha calça, esperando ansiosamente que ele se abra no ângulo exato, justamente no instante em que não dá mais para voltar, quando as nádegas estão a um palmo do assento. Daí pra frente é só sentar mesmo. Pode enganchar bolso ou qualquer outra coisa. Não há volta. E o apoio para o braço fica lá, só esperando para entrar no bolso direito da minha calça social...

O rasgo. Som muito alto. Muito longo. Excesso de decibéis e de décimos de segundo.

Daqui para frente é só esconder a enorme abertura ao longo da linha do bolso. Ventilação natural... Daqui para frente é só estudar cada movimento e arrumar uma maneira de ninguém perceber. E pensar em algum modo de consertar, de pelo menos minimizar o estrago...

Daqui pra frente é outra estória. Talvez um conto... É, dá um conto mesmo... Mas como estou escrevendo uma crônica, é preciso parar por aqui. Porque ela já está pronta! É, isso mesmo! A crônica do rasgo está pronta!


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13/12/2009 01:31

LINHA 01

Marginal Pinheiros. 17h34min. Sexta-feira. Onze de dezembro de 2009. Estou voltando do serviço. Sentado em uma poltrona do ônibus que a empresa disponibiliza aos funcionários. Linha 01, a mais longa. De Alphaville até São Bernardo. “A volta vai ser longa”, é o que penso. Está tudo congestionado.

No DVD, “Jogos Mortais”. Não vejo. Apenas ouço os gemidos e gritos, contrastando com a voz cadenciada e penetrante do torturador.

Estou no assento da janela. Ninguém ao meu lado. Olho para fora e vejo alguns riscos d’água no vidro. Pouco antes do final do expediente, um colega meu informa que está chovendo bastante em São Bernardo e em mais outro lugar que não me lembro. “Cento e dez quilômetros de congestionamento”, diz ele. “Se está assim a esta hora...”, conclui, ou melhor, deixa para nós a conclusão do que nos espera nesta volta para casa.

Meu ponto de descida é em São Caetano. Até lá, outro filme na tela do DVD. O segundo. Talvez até o terceiro. “Espero que coloquem algo mais leve”, é o desejo que me vem à mente. Continuo a não olhar para a tela. Mas devo confessar que a sonoplastia do “Jogos Mortais” é realmente impressionante... O terror escorre de cada som, grito, choro ou gemido.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Av. Bandeirantes. 18h36min. O primeiro filme acaba. Vejo os últimos dez minutos de terror. O seguinte começa com uma cena de um casal em plena e prazerosa relação sexual. Enquanto isto, o filho levanta-se do berço e vê a intimidade dos pais. Parece ter uns dois anos e certamente nada entende do que está acontecendo. Nenhum dos dois sequer percebe que estão sendo observados. O prazer se aproxima do clímax. Tudo em câmera lenta. Os adultos em êxtase e o bebê, que agora resolve se aproximar da janela aberta... Sobe em algum móvel e, com o seu pequeno urso de pelúcia, acaba por ficar de pé no parapeito da janela. O inocente e belo ser, rosto redondo, cabelos loiros, atira-se no espaço. As cenas se intercalam. Foco no prazer da mãe, totalmente entregue ao seu orgasmo. Foco no pequeno corpo que cai, os cabelos balançando ao vento. Por um instante, logo no começo da queda, percebe-se também o seu prazer. Talvez esteja se sentindo livre, capaz de voar. Movimenta braços e pernas enquanto percorre toda a lateral do prédio... O impacto é visto de longe, por cima, pouco se pode distinguir. Parece que ocorre um espalhamento de massa, que adquire, na filmagem em preto e branco, uma coloração mais escura... Temos a impressão que o choque da criança no solo acontece no exato instante do maior deleite sexual de seus pais, ou melhor, de sua mãe. As cenas procuram ressaltar o prazer da mulher... E, por fim, corta-se para um close lá embaixo. Não, não é do pobre menino, que mal conseguimos imaginar como deve estar. O foco é somente sobre o pequeno urso de pelúcia, cercado de neve...

O filme continua, mas a narração do mesmo acaba por aqui. Não estou escrevendo sobre este ou qualquer outro filme. Escrevo sobre a volta, a longa volta do serviço. Que não fica tão longa porque nos distraímos com várias obras cinematográficas...

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

19h04min. Ligo para casa. Aviso que podem ir jantando, não precisam me esperar. “Sabe aquele ponto da Bandeirantes que passa perto do Metrô? Então, eu estou aqui ainda...”.

-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

19h28min. O ônibus atravessa o rio dos Meninos. Estamos em São Caetano do Sul! 19h36min. Desço no meu ponto. Depois da rotineira caminhada, chego em casa às 20h02min. Três horas voltando do serviço. Somando com as duas de ida, temos cinco horas... É isso. Nada mais tenho a dizer. Este relato é despretensioso mesmo. Serve somente para descrever uma das inúmeras e longas voltas do serviço em uma sexta-feira qualquer...

Quanto ao filme, se vocês estão curiosos em saber o que acontece com os pais da criança que voluntariamente se atira pela janela do apartamento mas involuntariamente se suicida... Bom, que tal você pegar a Linha 01 também? Não pode? É mesmo... O que? O nome do filme? Não sei. Deixa pra lá! Uma boa e paciente volta do serviço para todos nós!


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15/11/2009 20:52

POÇO SEM FUNDO

Estou sem ideia. Tenho que escrever algo para colocar no meu blog. Estou na sala de espera do consultório dentário. Quero escrever, mas estou sem ideia. Preciso escrever.

Não tenho nenhum patrão me cobrando. Mas trata-se de compromisso. Faz quase um ano que decidi escrever sempre coisas novas para pendurar no blog. Nada de ficar remexendo em textos antigos, procurando algo que se aproveite. De uma maneira ou de outra, estou conseguindo cumprir. Nem tudo que postei foi redigido exclusivamente para blogueiros. Exemplo disto aconteceu no último...

Agora estou em casa... Mas que coisa chata! Agora estou aqui, agora estou lá! Agora estou acolá! O leitor não está nem um pouco interessado em saber onde estou. Que mania é essa... Parece esse papo de twitter. O sujeito escreve toda a sua rotina, o que vai fazer, o que não vai, e uma infinidade de coisas... Para todo mundo ler, para que todos saibam...

Eu só quero escrever algo interessante. Agora, diante do teclado, dou continuidade ao texto, sem me preocupar muito com as palavras, frases e construções. Mentira. Estou sempre preocupado com isto. Mas talvez agora esteja menos preocupado... Exemplo disto é que até deixei um parágrafo com o pensamento solto, sem fechar, sem concluir. Pode dar uma olhada nas linhas anteriores. Vai encontrar também repetições de palavras. Mais até do que recomenda o figurino...

Mas sendo sincero contigo, leitor, devo dizer que não estou sem ideia não. Tudo isto é apenas um truque. Na verdade, no banho de ontem tive uma ideia. Resolvi escrever sobre a estória das minhas ideias. Nada longo, pois ninguém tem paciência hoje em dia para ler. Então comecei do jeito que você viu, falando sobre não ter ideia e coisas do tipo, para depois chegar neste ponto de contar sobre as minhas ideias. No entanto, devo esclarecer que, antes desta minha ideia do banho, estava realmente sem ideias. Tinha umas, ocorria-me outras, mas nenhuma me agradava. Até que a própria dificuldade conduziu-me a esta estória, onde contarei como consegui driblar a falta de ideias. Aliás, neste parágrafo, o que mais tem é ideia. Não ideia de verdade, com aquele significado e emoção, com a luz que acompanha as melhores delas (pudera que em estórias em quadrinhos ela é representada por uma lâmpada...). Não é destas ideias que este parágrafo está repleto. Ele está repleto, cheio mesmo, é da palavra ideia. Até agora foi uma dúzia delas. Uma dúzia de ideias. Opa! Agora são treze. Está fácil de contar, pois eu estou brigando com o Word. Escrevo “ideia” sem acento e ele insiste em sublinhar de vermelho. Assim fica fácil de contar... Mas vamos logo à estória das minhas ideias, antes que, de tanto enrolar, minha intenção de escrever algo curto vá por água abaixo.

Posso começar pela própria ideia desta crônica, que aconteceu debaixo do chuveiro, que é um ótimo lugar para ter ideias. É quando estamos relaxados, com a mente solta... Mas não posso mentir. Desta vez não estava relaxado. Na verdade brigava com a minha mente. Buscava uma ideia, insistia para que ela aparecesse. Então, recordando-me dos momentos em que tive as melhores ideias (pelo menos as que eu julgo serem melhores...), acabei por achar que estes momentos poderiam compor uma crônica interessante... Mas, antes de começar a contar sobre estes momentos, aviso ao leitor que, daqui pra frente, ao invés de escrever “ideia”, escreverei “i”. Estou cansado de repetir a palavra “ideia”. Só neste parágrafo foram seis. Com mais quinze do parágrafo anterior, com mais... Chega! E tem mais, esta minha i de escrever i tem a vantagem de não ser sublinhada pelo Word. Isto mesmo, acabei de descobrir que o Word não sublinha a palavra i!

Geralmente o que me motiva a buscar i são os concursos. Há alguns meses atrás, estava batalhando para ter uma i de uma estória infantil. O concurso era bom e merecia um texto caprichado. Matutei, pensei, espremi os neurônios. No banho, andando, fazendo o “número 2”, sei lá onde! Só sei que a i não vinha. Mas comigo a coisa funciona assim: eu estresso a cabeça e depois vem a resposta. Estava enxugando os pés, após o banho, e veio-me na mente o seguinte: “futebol de minhocas”. Pronto, este seria o título. Uma i realmente maluca. Onde já se viu minhoca jogar futebol?

A i do meu primeiro livro ocorreu-me em um momento de felicidade. Aliás, tenho as melhores i quando estou feliz. Estava no quintal de minha casa, um local que aprecio muito, com árvores, natureza. Desejei que aquele momento ficasse congelado, que não mais saísse dele... E foi assim que surgiu a i do romance “Duas Horas”, que fala sobre congelamento do tempo e outras coisas mais...

Em uma outra ocasião, depois de ter buscado alguma boa i por semanas e semanas, estava lendo no ônibus fretado, voltando do serviço. De repente, algo que ouvi, algo que uma colega minha disse para quem estava ao lado dela, pareceu-me justamente que uma ou duas palavras específicas que ela disse (falava sobre conserto de lavatório, se não me engano), parece que estavam escritas na página que eu lia. Impossível! Os assuntos, o que ela falava e o do livro, eram totalmente diversos. Voltei então para as linhas anteriores e procurei por “lavatório”, “pia” ou coisa parecida. Não encontrei. Então foi justamente aí que a i surgiu: e se existisse um livro que captasse o pensamento dos outros? Pronto, daí pra frente foi só escrever a novela que estava buscando (“Livro Aberto”).

Certa vez, voltava a pé para casa, chegando do serviço. Então alguém chamou: “Fabrício!”. Isto foi suficiente para desencadear mais uma i. Pensei que alguém estava me chamando de Fabrício. Veio-me à mente: “e se eu estivesse ocupando o corpo de um tal Fabrício?”. Restou somente desenvolver um pouco mais para poder escrever um conto que fala sobre troca de corpos.

Assim está bom. Como disse, não quero alongar este texto. Acho que já deu para perceber como é a estória das minhas i... Lembro-me agora que uma vez estava buscando uma i para um concurso de contos. Enterrei a cabeça no teclado, com a seguinte determinação: “só vou levantar quando surgir uma boa i”. Várias i vieram à mente. Comparava-as, buscava outras. Assim fiquei por um longo tempo... Até que encontrei a i certa! ... Bem, como disse, assim está bom. Forçadas ou naturais, as i trazem sempre consigo uma sensação maravilhosa. É muito bom ter i! O mundo está cheio delas! São tantos filmes, tantos livros, shows, músicas, tanta informação... Muitas, muitas i! E quanto mais parece que elas acabaram, que não há mais nada para inventar ou criar, mais elas aparecem. É poço sem fundo mesmo!


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RELAÇÃO DOS TEXTOS DESTE BLOG:
TÍTULO.......DATA PUBLICAÇÃO
Chegando em casa..10/03/10
Lei de Murphy aplicada aos concursos literários
Parte I - Dos problemas no computador, ventilador e editor.....................23/02/10
Crônica do Rasgo.....04/01/10
Linha 01..................13/12/09
Poço sem fundo.......15/11/09
Memória..................30/09/09
Ninguém lê..............30/08/09
Congelando Moscas...................07/08/09
A Árvore da Ponte....09/07/09
Blog das Cavernas...09/06/09
Cigarro para Não Fumantes...............01/05/09
Rato.......................05/04/09
Meia Hora...............07/03/09
Quem Teve a Idéia de Tirar o Acento da Idéia?.....01/02/09
Dia 23 de Dezembro...............31/12/08
Domingo no Parque...................30/11/08
Congestionamento..03/11/08
10: GO TO 10...........30/09/08
Gases no Elevador...03/09/08
Memórias de um Aspirante a Escritor...................03/08/08
Resquícios de um Vestibulando...........29/06/08
O Pombo Zap...........01/06/08
O Misterioso Conto de Cícero.....................27/04/08
Fim do Mundo..........30/03/08
O Sonhador.............16/03/08
Lúcia Sai Correndo...02/02/08
Frieza.....................29/12/07
Era uma vez um Leão.......................25/11/07
Manifesto................10/11/07
Milene.....................28/10/07
Conto Instantâneo...12/10/07
"TUM".....................30/09/07
Bem-te-vi...............15/09/07
Leucemia................02/09/07
A Pomba.................18/08/07
Extinção.................05/08/07
Chamada a Cobrar...21/07/07
Fabrício..................08/07/07
O Muro Cinza...........30/06/07
Paranapi... Será que... Acaba?...................23/06/07
A Tortura................09/06/07
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